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Postado em 18 de Julho às 14h04

Safra 2019/20 dos EUA pode precisar de mais um mês do que o normal para se desenvolver

Agronegócio (12)

Mesmo sendo de apenas 1%, a elevação do índice de lavouras de soja e milho em boas ou excelentes condições nos EUA pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ajudou a intensificar a pressão sobre as cotações na Bolsa de Chicago neste início de semana. Somente nesta terça-feira, 16 de julho, os futuros das duas culturas perderam mais de 1%.

Apesar desse movimento do USDA, que surpreendeu um mercado que esperava uma redução nesses números, os especialistas internacionais continuam alertando para as condições ruins da nova temporada norte-americana e das preocupações crescentes entre os produtores.

Pelo Twitter, o produtor Terry Christensen, de Minden, no estado do Nebraska, postou fotos em sua conta no último sábado, 12, mostrando parte de seus campos de milho que foram replantados totalmente submersos. Veja a imagem a seguir.
 

Situações como estas têm sido bastante frequentes entre os relatos que chegam das mais diversas regiões de produção dos EUA e embora a safra se mostre bastante desuniforme neste momento, é comum entre os agricultores que o período de desenvolvimento este ano será maior do que em anos anteriores.

Em entrevista ao portal internacional AgWeb, o produtor Brent Lowry, de Searsboro, em Iowa, disse que realizou seu plantio grande parte em junho como nunca antes, em um processo longo e de condições muito adversas. Consequentemente, a maturação das plantas está muito atrasada e comprometida.

"Não plantamos nas condições ideais e tenho certeza de que o sistema radicular não está bom. Necessariamente precisaremos de um cenário bom no verão e um outono que também contribua com a safra", diz Lowry ao AgWeb.

No Missouri, condições semelhantes. Em partes do estado ainda é possível observar produtores realizando seus replantios, porém, a preocupação com calor intenso destes últimos dias é bastante preocupante. "Acredite ou não, em algumas áreas as chuvas seriam importantes", diz Les Monroe, do Missouri, também ao site AgWeb.

A expectativa de boa parte dos especialistas norte-americanos é de que a safra 2019/20 dos EUA precise de ao menos um mês a mais do que em anos anteriores para se concluir se comparada a temporadas anteriores. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o consultor da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, isso ameaça severamente o potencial produtivo das duas culturas e pode levar as lavouras a sofrerem com condições ainda mais ameaçadoras durante o outono e inverno nos EUA.

As geadas precoces e problemas na colheita, por exemplo, já são ameaças que começam a ser ventiladas pelos produtores norte-americanos.

"O clima na semana passada esteve OK, mas se continuarmos neste padrão de tempo quente e seco, me preocupo de que o stress hídrico possa aumentar. Na última semana eu disse que uma semana de condições como estas seriam boas para as lavouras, duas semanas teriam um impacto neutro e três poderiam começar a causar efeitos negativos. Estamos começando agora a semana três e as previsões indicam mais condições como estas, especialmente no centro e noroeste do Corn Belt", explica o PhD norte-americano Michael Cordonnier sobre as últimas previsões climáticas para as regiões produtoras norte-americanas. 

Mais números que mostram o atraso das lavouras nos EUA são os da fase de florescimento na soja e no embonecamento para o milho. De acordo com o último relatório do USDA, são 22% dos campos de soja em fase de florescimento, um aumento de 12% em relação à semana anterior. No ano passado, nesse período eram 62%, e a média dos últimos anos é de 49%. sobre o milho, o USDA informa ainda que 17% das lavouras estão em fase de embonecamento, contra 8% da semana passada. O índice está bem abaixo do ano passado, de 59%, e da média dos últimos cinco anos de 42%.

E como bem resumiu o analista internacional Kevin Van Trump, "isso quer dizer que são mais de 25,5 milhões de hectares que ainda não estão florescendo, ou seja, são 8,7 milhões atrás da média dos últimos cinco anos. No milho, são mais de 28,3 milhões de hectares que ainda precisam chegar ao embonecamento, 14 milhões a mais do que a média".

E essa demora pode prejudicar a polinização das plantas, principalmente no caso do milho.

"A safra de milho dos EUA chegará a 50% das lavouras na fase de embonecamento, provavelmente no final de julho. Polinizar no final de julho pode ser problemático, mas não é o "fim do mundo". Estou muito mais preocupado com o milho plantado muito tarde, que pode não polinizar até o final de agosto", alerta Cordonnier.

Da mesma forma, a preocupação do agrônomo norte-americano com a soja também existe e é grande. "O clima adverso retardaria ainda mais o seu desenvolvimento e resultaria em plantas mais curtas do que o normal, com uma probabilidade maior de rendimentos abaixo da média', conclui.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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