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Postado em 22 de Julho às 11h51

China poderia comprar de 3,8 a 6 mi de t de soja nos EUA, diz mídia internacional

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Uma nova partida do xadrez China x EUA parece estar se intensificando nos últimos dias e agora o mercado especula sobre a possibilidade de a nação asiática já estar considerando novas compras de soja no mercado norte-americano. Segundo informações da agência internacional de notícias Bloomberg, autoridades do governo chinês estariam em conversas com estatais e empresas privadas para traçar um possível plano para ampliar suas aquisições da oleaginosa americana.

As primeiras informações são de que os volumes considerados estariam entre 3,8 e 6 milhões de toneladas para embarques em setembro. O Ministério do Comércio da China ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.

Fontes familiarizadas com o assunto dão conta de que entre os assuntos discutidos em reuniões que acontecem desde a última sexta-feira (19) - e que promoveram especulações em Chicago e altas de mais de 20 pontos entre os futuros da commodity na Bolsa de Chicago - inclui a possibilidade da suspensão da tarifa da China sobre a soja dos EUA que hoje é de 25%.

Assim, o que Pequim espera agora é um feed back das empresas compradoras para efetivar mais uma sinalização de "boa vontade" com o governo de Donald Trump em meio a um conflito comercial que se arrasta por mais de um ano e com o objetivo de avançar com as negociações comerciais com os americanos. Desde que Trump e Xi Jinping se encontraram na última cúpula do G20, no final de junho, no Japão, as conversas evoluíram pouco ou quase nada.

No centro das discordâncias permanecem, principalmente, os assuntos ligados às questões de tecnologia e o papel da gigante chinesa das telecomunicações Huawei. E na semana passada, o governo chinês desmentiu a declaração do presidente americano sobre um acordo que teria sido firmado no G20 para que a nação asiática ampliasse suas compras de produtos agrícolas nos EUA.

PRIMEIRO ENCONTRO PRESENCIAL APÓS O G20


Uma delegação dos EUA, liderada por Robert Lighthizer, representante do comércio, e Steve Mnuchin, secretário do Tesouro americano, deverão viajar à China na próxima semana e realizar o primeiro encontro pessoal entre líderes das duas nações desde a reunião de Xi e Trump no G20. O vice-premier Liu He, braço direito do presidente quando o assunto é economia, deverá liderar o time da nação asiática.

De acordo com o portal chinês South China Morning Post, a reunião foi arrajandada depois que os EUA sinalizaram a possibilidade de isentar de tarifas de importação 110 produtos da China, incluindo equipamento médico e componentes eletrônicos-chave na produção, segundo uma fonte que preferiu não se identificar. Da mesma forma, e com um gesto de boa vontade, Pequim teria sinalizado essas compras de mais produtos agrícolas norte-americanos. 

O encontro, caso de fato aconteça, é considerado pelos especialistas como mais um passo nas negociações entre as duas maiores economias do mundo. Ainda assim, acreditam também que o conflito ainda pode durar um tempo considerável e que o caminho a ser percorrido para um acordo efetivo é bastante longo. A reunião ainda não foi oficialmente confirmada por nenhum dos lados, embora conversas telefônicas entre representantes dos dois países tenham sido realizadas na semana passada.

“Não importa quanta incerteza esteja à nossa frente, a China continuará em seu próprio caminho, fará o que achar correto e fortalecerá sua capacidade de lidar com riscos e desafios”, diz o editorial da agência estatal Xinhua.

EFEITOS PARA O BRASIL

No Brasil, o mercado também se mantém atento aos impactos dessas especulações e novas movimentações sobre a formação dos preços da soja. A princípio, um acordo entre China e EUA exerceria uma pressão considerável para as cotações aqui e também resultaria em uma menor dependência dos chineses na da América do Sul, como explica o consultor da Cerealpar e da Culte, Steve Cachia.

No entanto, este ano é diferente e há outros fatores que criam um outro cenário. "Nossa oferta é limitada pela quebra, e se a China não tiver onde comprar teria que forçar preços para cima para garantir produto, e isso nos daria suporte na entressafra.
Agora, se tiver opção dos EUA - e a oferta é grande por lá grande de lá, com estoques amplos e se não tivermos maiores perdas na safra americana -, o limite do potencial de alta em Chicago seria limitado", diz.

Além disso, confirmadas as compras chinesas nos EUA, haveria pressão ainda sobre os prêmios brasileiros. Mais do que isso, fretes internacionais nos mais elevados níveis em cinco anos, ainda segundo o consultor, são outro ponto de atenção.

"A evolução das conversas não está me impressionando e o tempo está passando. Mas sim, não duvido se questões políticas acabarem tendo peso até maior (do que temos visto agora). Até agora a China, de um jeito ou de outro, levou o mercado de soja sem maiores sustos, talvez ajudada por uma demanda mais fraca devido à Peste Suína Africana", explica Cachia. "Acho que eles vão jogar duro. Além da vontade de acertar, claro, esta novela da guerra comercial começa a parecer também um jogo duro de geopolítica. E as eleiçoes americanas de 2020 estão cada vez mais perto", completa.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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